Através deste artigo, gostaria de contribuir para a discussão acerca de alguns termos, relacionados ao aspecto religioso humano, que, como ocorre com qualquer termo desse tipo, despertam interpretações várias dependendo dos conceitos ético-morais e religiosos de cada devoto; termos estes, quais sejam: "teísta" ("monoteísta", "panteísta", "politeísta"), "gnóstico", e, com mais profundidade, por considerar mais difícil ainda de se entender e mais fácil de se confundirem, "ateísta" e "agnóstico".
Até meados do século XX, ou, melhor situando, até o choque atômico de 1945, qualquer pessoa da sociedade ocidental que se atrevesse a se admitir perante os demais como sendo um "ateu" era cobrado a se explicar, tendo em vista a herança cultural que, desde o início das sociedades, apregoa a necessidade de uma Religião a fim de perpetuar os códigos ético-morais. Em paralelo a essa visão divina das relações humanas, havia, de quando em vez, mentes que buscavam aniquilar do homem a busca de religar-se com seu aspecto divino.
A partir do séc. XIX, tais mentes vão encontrar ideais em que se basear, quais sejam, as idéias anarquistas (encontrando seu auge no materialismo de Marx, mas sem esquecer Bakunin) e da busca de um Anticristo "perfeito", isto é, que não necessite de forma alguma de um Cristo (encontrando seu auge no niilismo de Nietzche). Esses ideiais encontrarão cada vez mais mentes par ainfluenciar em meados do séc. XX, mais precisamente com os anos 60 e o advento da Revolução Industrial da Eletrônica e a revolução sexual, com um avanço maior a partir dos anos 80, com o advento da Era da Informação e a tão bem falada Globalização. A partir de então, se começa a delinear o novo paradigma, que se perpetua até hoje, da busca pela completa liberdade de pensamento; paradigma esse que permite ao homem de hoje afirmar-se em determinados meios sociais como "ateu" sem ser incompreendido ou rechaçado.
Ao iniciar a busca da diferença entre os termos “ateu” e “agnóstico”, gostaria de partir da etimologia dessas palavras. "Theos" significa movimento (no sentido de movimento divino, de que tudo está em movimento: na inércia está mover-se); enquanto "gnose" significa conhecimento. O problema é que o prefixo "a" não nega simplesmente (como o "i" de "ignoto"), pois para negar algo é preciso conceber seu lado positivo; o prefixo "a" transcende tanto a negação quanto a afirmação, pois significa que o objeto em questão (p. ex., a "gnose") não é concebível de forma alguma. Esse raciocínio pode ser aplicado ao se analisar a diferença entre: “moral”, “imoral” e “amoral”.
Pensando dessa forma: para que a pessoa não creia na existência de Deus, ela deve conceber a possibilidade de que ele exista, logo ela é "i-theos", ou um anti-theos (crê que tudo está parado, e para tanto, precisa crer na possibilidade de movimento); para ser um "a-theos", a pessoa deveria conceber que nada se move e (ao mesmo tempo) que nada está parado: um verdadeiro visionário, para o qual a existência ou não-existência de Deus é algo inimaginável (repetindo: para se pensar que algo não existe, é necessário imaginar como seria nossa existência a partir do momento em que esse algo passe a existir).
Partindo pro "a-gnóstico": sua diferença com relação ao "i-gnorante" é que este acredita que seria possível vir a conhecer (normalmente, o ignorante crê que o conhecimento, estando muito distante dele, é praticamente impossível de ser alcançado); enquanto o agnóstico não crê que possa conhecer algo: ele (paradoxalmente) não "sabe que sabe". Ora, se ele não conhece nenhum conhecimento, (nem dentro nem fora de si próprio), como poderia conhecer algo transcendente ao que está dentro ou fora de si próprio? Se ele acreditasse em Deus por causa do seu próprio conhecimento, seria gnóstico; se acreditasse em Deus por acreditar, sem sequer concebê-lo, seria um "ignóstico", ou mesmo um "ignorante" (e o “deus” em que se crê seria um ignoto). Esse é o caso da maioria dos fanáticos, os quais, aparentemente, não conseguem conceber o próprio Deus (mesmo que por fatores doutrinários), mas, ainda assim, amam seu Deus acima de tudo. A palavra "ignóstico" vem sendo amplamente utilizada, mas o real significado desse termo novo e complexo ainda é muito discutido por sacerdotes (judeus, cristãos), ateus, agnósticos e gnósticos.
Até meados do século XX, ou, melhor situando, até o choque atômico de 1945, qualquer pessoa da sociedade ocidental que se atrevesse a se admitir perante os demais como sendo um "ateu" era cobrado a se explicar, tendo em vista a herança cultural que, desde o início das sociedades, apregoa a necessidade de uma Religião a fim de perpetuar os códigos ético-morais. Em paralelo a essa visão divina das relações humanas, havia, de quando em vez, mentes que buscavam aniquilar do homem a busca de religar-se com seu aspecto divino.
A partir do séc. XIX, tais mentes vão encontrar ideais em que se basear, quais sejam, as idéias anarquistas (encontrando seu auge no materialismo de Marx, mas sem esquecer Bakunin) e da busca de um Anticristo "perfeito", isto é, que não necessite de forma alguma de um Cristo (encontrando seu auge no niilismo de Nietzche). Esses ideiais encontrarão cada vez mais mentes par ainfluenciar em meados do séc. XX, mais precisamente com os anos 60 e o advento da Revolução Industrial da Eletrônica e a revolução sexual, com um avanço maior a partir dos anos 80, com o advento da Era da Informação e a tão bem falada Globalização. A partir de então, se começa a delinear o novo paradigma, que se perpetua até hoje, da busca pela completa liberdade de pensamento; paradigma esse que permite ao homem de hoje afirmar-se em determinados meios sociais como "ateu" sem ser incompreendido ou rechaçado.
Ao iniciar a busca da diferença entre os termos “ateu” e “agnóstico”, gostaria de partir da etimologia dessas palavras. "Theos" significa movimento (no sentido de movimento divino, de que tudo está em movimento: na inércia está mover-se); enquanto "gnose" significa conhecimento. O problema é que o prefixo "a" não nega simplesmente (como o "i" de "ignoto"), pois para negar algo é preciso conceber seu lado positivo; o prefixo "a" transcende tanto a negação quanto a afirmação, pois significa que o objeto em questão (p. ex., a "gnose") não é concebível de forma alguma. Esse raciocínio pode ser aplicado ao se analisar a diferença entre: “moral”, “imoral” e “amoral”.
Pensando dessa forma: para que a pessoa não creia na existência de Deus, ela deve conceber a possibilidade de que ele exista, logo ela é "i-theos", ou um anti-theos (crê que tudo está parado, e para tanto, precisa crer na possibilidade de movimento); para ser um "a-theos", a pessoa deveria conceber que nada se move e (ao mesmo tempo) que nada está parado: um verdadeiro visionário, para o qual a existência ou não-existência de Deus é algo inimaginável (repetindo: para se pensar que algo não existe, é necessário imaginar como seria nossa existência a partir do momento em que esse algo passe a existir).
Partindo pro "a-gnóstico": sua diferença com relação ao "i-gnorante" é que este acredita que seria possível vir a conhecer (normalmente, o ignorante crê que o conhecimento, estando muito distante dele, é praticamente impossível de ser alcançado); enquanto o agnóstico não crê que possa conhecer algo: ele (paradoxalmente) não "sabe que sabe". Ora, se ele não conhece nenhum conhecimento, (nem dentro nem fora de si próprio), como poderia conhecer algo transcendente ao que está dentro ou fora de si próprio? Se ele acreditasse em Deus por causa do seu próprio conhecimento, seria gnóstico; se acreditasse em Deus por acreditar, sem sequer concebê-lo, seria um "ignóstico", ou mesmo um "ignorante" (e o “deus” em que se crê seria um ignoto). Esse é o caso da maioria dos fanáticos, os quais, aparentemente, não conseguem conceber o próprio Deus (mesmo que por fatores doutrinários), mas, ainda assim, amam seu Deus acima de tudo. A palavra "ignóstico" vem sendo amplamente utilizada, mas o real significado desse termo novo e complexo ainda é muito discutido por sacerdotes (judeus, cristãos), ateus, agnósticos e gnósticos.
Já os devotos, tendem a ser gnósticos, tamanha a fé que depositam no seu Deus. Já o agnóstico, é difícil de ser imaginado, assim como o ateu, parecendo ser seres que miraculosamente estão vivos, tamanho o desapego às suas vidas. É como se elas fossem frutos puros da natureza. Alguém que talvez chegasse perto disso seria um Aleister Crowley ou um Antony la Vey.
Concluindo, imagino que uma melhor definição seria:
Ateu: não concebe o teísmo (logo, não concebe Deus, no sentido de que Deus transforma o mundo ao mesmo tempo em que o recria).
Agnóstico: não concebe "conceber" (nada, muito menos Deus).
Qualquer outro que entenda isto de outra forma, requer explicações que vão além da nossa aceitação moral.
E quanto ao teísta?
Este pode se encaixar onde quiser (animismo), porque o mundo precisa mover-se para ser mundo (panteísmo): o homem precisa mover-se para matar –e até para morrer – (politeísmo): para ser homem (monoteísmo).
Concluindo, imagino que uma melhor definição seria:
Ateu: não concebe o teísmo (logo, não concebe Deus, no sentido de que Deus transforma o mundo ao mesmo tempo em que o recria).
Agnóstico: não concebe "conceber" (nada, muito menos Deus).
Qualquer outro que entenda isto de outra forma, requer explicações que vão além da nossa aceitação moral.
E quanto ao teísta?
Este pode se encaixar onde quiser (animismo), porque o mundo precisa mover-se para ser mundo (panteísmo): o homem precisa mover-se para matar –e até para morrer – (politeísmo): para ser homem (monoteísmo).
Espero haver contribuído para esse debate sem fim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário